Marketing para Psicólogos: Guia Completo e Ético
Marketing para psicólogos é o conjunto de ações que tornam o seu trabalho encontrável, compreensível e confiável para quem precisa de atendimento psicológico, sempre dentro dos limites do Código de Ética Profissional do Psicólogo. Não se trata de “vender terapia”, e sim de diminuir a distância entre quem procura ajuda e o profissional que pode oferecê-la.
Este guia reúne, em um só lugar, o que a maioria dos conteúdos sobre o tema trata de forma parcial: as regras do Conselho Federal de Psicologia (CFP), o passo a passo para se posicionar, os canais que funcionam (site, Google, Instagram e anúncios), quanto custa, como medir resultados e quais erros evitar. No final, há um plano de ação de 30 dias.
Resumo rápido
- O marketing para psicólogos é permitido, desde que respeite o Artigo 20 do Código de Ética e as orientações do CFP e dos CRPs.
- Não é permitido prometer resultados, usar preço como atrativo, fazer divulgação sensacionalista ou expor pacientes.
- A base de tudo é o posicionamento: quem você atende, como trabalha e em que formato.
- Os canais com melhor relação entre esforço e retorno costumam ser: site profissional, Perfil da Empresa no Google, SEO e, para quem quer acelerar, Google Ads.
- O Instagram constrói confiança e reconhecimento, mas dificilmente funciona sozinho como canal de captação.
- O resultado real se mede em primeiras sessões e pacientes que permanecem em processo, não em curtidas.
O que é marketing para psicólogos (e o que ele não é)
Marketing, em essência, é entender quem precisa do seu serviço, comunicar com clareza o que você faz e tornar o contato simples. No contexto da psicologia, essa definição ganha limites: a comunicação não pode explorar a vulnerabilidade de quem sofre, não pode prometer o que a ciência não garante e precisa preservar o sigilo e a dignidade de quem é atendido.
Por isso, vale separar dois conceitos que costumam ser confundidos:
- Publicidade profissional é a divulgação dos seus serviços: o site, o perfil no Instagram, o anúncio, o cartão de visita.
- Marketing é mais amplo. Inclui o posicionamento, a forma como as pessoas encontram você, a experiência do primeiro contato e até o modo como você cuida da continuidade do atendimento.
Um bom marketing para psicólogos funciona em três camadas, que serão detalhadas ao longo do guia:
- Posicionamento: a clareza sobre quem você é, quem você atende e como trabalha.
- Visibilidade: estar nos lugares onde as pessoas procuram ajuda, como o Google, o Instagram e os mapas.
- Conversão e relacionamento: transformar um contato em primeira sessão e uma primeira sessão em um processo terapêutico bem conduzido.
O que o marketing não é: pressão para fechar pacotes, comparação com colegas, linguagem de “oferta imperdível” ou qualquer artifício que coloque o interesse comercial acima do cuidado.
O que o CFP permite e proíbe na divulgação
Antes de qualquer estratégia, é preciso conhecer as regras. A divulgação dos serviços de psicologia é orientada principalmente por:
- Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005), especialmente o Artigo 20, que trata de como o psicólogo promove publicamente seus serviços.
- Nota Técnica CFP nº 01/2022, que orienta sobre publicidade e cuidados éticos no uso profissional das redes sociais. Ela aborda temas como oferta de produtos e serviços, preço, uso de depoimentos e imagens, apelidos e logomarcas.
- Resolução CFP nº 09/2024, que regulamenta o exercício profissional mediado por tecnologias digitais (atendimento online).
- Código de Defesa do Consumidor e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que também se aplicam à publicidade e ao tratamento de dados.
Os Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs) também publicam cartilhas e orientações próprias sobre publicidade profissional. Em caso de dúvida, a Comissão de Orientação e Fiscalização do seu CRP é o caminho mais seguro.
O Artigo 20 em linguagem simples
De forma resumida, ao divulgar seus serviços o psicólogo deve:
- informar seu nome completo, o CRP e o número de registro;
- divulgar apenas qualificações, atividades e recursos relativos a técnicas e práticas reconhecidas ou regulamentadas pela profissão;
- não utilizar o preço do serviço como forma de publicidade para captar clientela;
- não fazer previsão taxativa de resultados;
- não fazer autopromoção em detrimento de outros profissionais;
- não propor atividades que sejam atribuição privativa de outras categorias profissionais;
- não fazer divulgação sensacionalista das atividades profissionais.
O texto integral está disponível no site do CFP e deve sempre ser consultado na versão vigente.
Exemplos práticos: o que fazer e o que evitar
Exemplos de comunicação adequada:
- Bio de perfil: “Maria Silva | Psicóloga Clínica | CRP 00/00000 | Terapia Cognitivo-Comportamental | Atendimento online e presencial em [cidade]”.
- Post educativo: “Preocupação comum ou ansiedade que merece atenção profissional? Entenda a diferença”.
- Texto de site: “Na primeira sessão, conversamos sobre o que trouxe você até aqui e como a terapia pode funcionar no seu caso”.
Exemplos que devem ser evitados:
- “Elimine a ansiedade em 8 sessões” (previsão taxativa de resultado).
- “Primeira sessão com 50% de desconto, só esta semana” (preço como atrativo).
- “Veja o antes e depois dos meus pacientes” (exposição e promessa de resultado).
- “A melhor psicóloga da cidade” (autopromoção em detrimento de colegas).
- “Faça o teste e descubra se você tem depressão” (diagnóstico à distância e uso inadequado de instrumentos).
Depoimentos e avaliações online
O uso de depoimentos de pacientes é um dos pontos mais delicados e é tratado pela Nota Técnica CFP 01/2022. A orientação prudente é não publicar, nem solicitar, relatos de pacientes sobre o atendimento.
As avaliações no Google merecem atenção especial. Mesmo quando o paciente publica espontaneamente, responder publicamente pode confirmar que aquela pessoa é atendida por você, o que fere o sigilo profissional. Se houver avaliações no seu perfil, procure o CRP da sua região para saber como se posicionar.
Sigilo, casos clínicos e imagem
Evite compartilhar casos clínicos, mesmo com nomes trocados: o paciente pode se reconhecer, ou ser reconhecido por terceiros. Também não publique prints de conversas, relatos de sessões ou fotos de pacientes. Conteúdos sobre “o que acontece na terapia” devem ser sempre gerais e educativos.
Atendimento online: atenção a informações desatualizadas
Muitos conteúdos ainda mencionam o cadastro no e-Psi como obrigatório. Desde a Resolução CFP nº 09/2024, em vigor desde 31 de agosto de 2024, esse cadastro foi extinto, e as Resoluções 11/2018 e 04/2020 foram revogadas. Para atender online, o requisito central passa a ser o registro ativo no CRP, além do respeito às situações que a própria resolução reserva ao atendimento presencial. Confirme sempre o texto vigente no site do CFP.

Passo 1: Posicionamento, nicho e público
Posicionar-se é deixar claro, em poucas palavras, quem você atende, com qual abordagem e em que formato. Isso não limita o seu trabalho: aumenta a relevância para a pessoa certa e facilita a decisão de quem está comparando profissionais.
As cinco perguntas do posicionamento
- Com quem eu gosto e tenho preparo para trabalhar (adultos, adolescentes, casais, profissionais em transição de carreira, pessoas neurodivergentes)?
- Com quais demandas eu tenho mais formação e experiência?
- Qual é a minha abordagem e como explicá-la em uma frase para quem não é da área?
- Em que formato atendo (online, presencial, ambos) e em quais horários?
- O que as pessoas costumam me dizer que as ajudou a me escolher?
Com as respostas, escreva uma frase de posicionamento. Exemplo: “Psicóloga clínica com abordagem cognitivo-comportamental, atendendo adultos com queixas de ansiedade e estresse, online e em [cidade]”.
Atenção ao termo “especialista”: ele só deve ser usado por quem possui o título de especialista concedido e registrado pelo CRP. Quem tem apenas cursos ou pós-graduação deve descrever a formação como ela é, sem sugerir uma qualificação que não possui.
Entenda como o paciente procura ajuda
O paciente raramente pesquisa com termos técnicos. Ele digita o que sente: “como parar de pensar demais”, “terapia para ansiedade”, “psicólogo perto de mim”, “terapia online funciona?”. Para descobrir essa linguagem:
- observe as sugestões de busca e a seção “As pessoas também perguntam” no Google;
- anote as perguntas mais frequentes que chegam na triagem e na primeira sessão;
- observe os temas que geram dúvida nos comentários e nas caixas de perguntas do Instagram.
A jornada de decisão do paciente
De forma geral, a pessoa passa por quatro momentos, e cada canal atende a um deles:
- Descoberta: percebe que algo não vai bem e busca informação (conteúdos educativos, Instagram, blog).
- Consideração: decide que a terapia pode ajudar e compara profissionais (site, Perfil no Google, bio).
- Decisão: escolhe com quem agendar (clareza no contato, resposta rápida, informações sobre a primeira sessão).
- Continuidade: decide permanecer no processo (qualidade do vínculo e organização do atendimento).
O marketing que funciona cuida dos quatro momentos, e não apenas dos dois primeiros.
Passo 2: Site profissional para psicólogos
O site é o único canal que você controla por completo. Redes sociais mudam de regra e de alcance; perfis em plataformas de terceiros dependem de acordos comerciais. O site é o endereço fixo da sua presença profissional e a base para o SEO e para os anúncios.
O que um site de psicólogo precisa ter
- Página inicial clara: quem você é, quem atende, em que formato e como entrar em contato, tudo visível sem rolar a tela.
- Página “Sobre”: formação, abordagem, CRP e experiência, de forma humana e sem exageros.
- Páginas por tema ou serviço: por exemplo, terapia online, terapia para ansiedade, terapia de casal. Cada uma com texto próprio, o que ajuda no SEO e na compreensão do paciente.
- Como funciona a primeira sessão: duração, formato, o que esperar. Isso reduz a insegurança de quem nunca fez terapia.
- Perguntas frequentes: sigilo, duração do processo, formas de pagamento, política de remarcação.
- Contato fácil: botão de WhatsApp, formulário curto e, se fizer sentido, agendamento online.
- Localização: endereço e mapa, se houver atendimento presencial.
- Política de privacidade e aviso de cookies, em conformidade com a LGPD.
- Identificação profissional completa em todas as páginas: nome e CRP.
Boas práticas de conversão
- Deixe o botão de contato visível em todas as páginas, principalmente no celular, de onde vem a maior parte dos acessos.
- Use uma mensagem pré-preenchida no WhatsApp, como “Olá, gostaria de saber mais sobre o atendimento psicológico”.
- Evite formulários longos. Quanto mais campos, menos contatos.
- Escreva com acolhimento e clareza, sem jargão e sem promessas.
- Use uma foto profissional e uma imagem do ambiente de atendimento, quando houver.
- Garanta carregamento rápido, navegação simples e segurança (HTTPS).
Passo 3: SEO para psicólogos e Perfil da Empresa no Googles
SEO (otimização para mecanismos de busca) é o conjunto de práticas que ajuda o seu site a aparecer nos resultados orgânicos do Google. Sua grande vantagem é o efeito acumulado: o conteúdo bem feito continua trazendo visitas sem custo por clique. A contrapartida é o tempo, já que os resultados costumam levar alguns meses para aparecer.
Pesquisa de palavras-chave: três tipos de intenção
- Busca por profissional (intenção de contratar): “psicólogo em [cidade]”, “psicólogo online”, “psicólogo particular”.
- Busca por queixa (intenção de se ajudar): “terapia para ansiedade”, “psicólogo para burnout”, “terapia de casal”.
- Busca por informação (intenção de entender): “como funciona a primeira sessão de terapia”, “o que é terapia cognitivo-comportamental”, “terapia online funciona?”.
O site deve ter páginas para os dois primeiros tipos, e o blog cobre o terceiro.
SEO on-page: o essencial
- Título da página (title): com o tema principal e, quando fizer sentido, a cidade. Exemplo: “Psicólogo em [cidade] | Terapia Cognitivo-Comportamental”.
- Meta description: um resumo claro de até cerca de 155 caracteres, que convide ao clique.
- Um H1 por página, com o assunto central.
- Subtítulos (H2 e H3) organizando o texto e respondendo perguntas reais.
- Conteúdo original, escrito para pessoas e não para robôs.
- Links internos conectando páginas relacionadas.
- Imagens com texto alternativo descritivo.
Saúde é tema sensível para o Google
O Google dá atenção especial a conteúdos que podem afetar a saúde das pessoas e avalia sinais de experiência, especialidade, autoridade e confiança. Para psicólogos, isso se traduz em práticas simples:
- assinar os conteúdos com nome e CRP;
- indicar a data de atualização e revisar os textos periodicamente;
- citar fontes confiáveis quando houver dados ou afirmações técnicas;
- evitar promessas, diagnósticos e generalizações.
Perfil da Empresa no Google (antigo Google Meu Negócio)
Para quem atende presencialmente, o Perfil da Empresa no Google é um dos recursos mais valiosos, porque aparece nas buscas locais e no mapa, como em “psicólogo perto de mim”.
- Crie e verifique o perfil, com a categoria adequada ao seu serviço.
- Preencha tudo: endereço, telefone, horários, site, descrição objetiva e fotos do consultório.
- Mantenha os dados idênticos aos do site e das redes sociais (nome, endereço e telefone).
- Cuide da ética das avaliações, conforme descrito na seção sobre o CFP.
Se o atendimento é exclusivamente online, a presença local tem alcance limitado, e o foco deve ir para o conteúdo e para o SEO do site.
Aspectos técnicos
Cadastre o site no Google Search Console para acompanhar buscas e problemas de indexação, envie o sitemap, garanta que o site funcione bem no celular e acompanhe a velocidade de carregamento.
Passo 4: Google Ads para psicólogos
O Google Ads coloca o seu anúncio diante de quem está pesquisando agora por um psicólogo. É o canal de maior intenção de busca, e por isso costuma gerar contatos mais rapidamente que o SEO. Em contrapartida, deixa de trazer resultados quando o investimento para.
Os anúncios também seguem o Artigo 20
Anúncio é publicidade profissional. Isso significa que o texto não pode conter promessa de resultado, preço como atrativo, sensacionalismo ou linguagem que explore o sofrimento. A página de destino também deve identificar você com nome e CRP.
Como estruturar a campanha
- Rede de Pesquisa: o formato mais indicado, porque aparece para quem digita uma busca.
- Grupos de anúncios por tema: um para terapia online, outro para ansiedade, outro para terapia de casal, e assim por diante. Isso facilita medir o que funciona.
- Palavras-chave específicas: combinações como “psicólogo [cidade]”, “psicólogo online” e “terapia para ansiedade [cidade]”. Termos genéricos demais, como só “psicólogo”, tendem a gastar verba com cliques pouco qualificados.
- Palavras-chave negativas: bloqueiam buscas fora do seu objetivo. Exemplos comuns: “grátis”, “gratuito”, “SUS”, “curso”, “faculdade”, “concurso”, “salário”, “vagas”.
- Segmentação geográfica: restrinja à cidade ou à região, se o atendimento for presencial.
- Landing page: envie o clique para uma página específica, com contato fácil, e não apenas para a página inicial.
- Rastreamento de conversões: configure o acompanhamento de cliques no WhatsApp, envios de formulário e ligações. Sem isso, você não sabe o que está funcionando.
Privacidade e dados sensíveis
Dados de saúde são dados pessoais sensíveis pela LGPD, e as plataformas de anúncios impõem restrições à personalização baseada em condições de saúde. Por isso, evite estratégias que criem listas de remarketing a partir de quem visitou o site de um psicólogo e mantenha uma política de privacidade clara. Verifique as regras vigentes de cada plataforma antes de configurar a campanha.
Como calcular o orçamento
A lógica é uma sequência simples de multiplicações:
- Cliques = orçamento mensal ÷ custo médio por clique (CPC)
- Contatos = cliques × taxa de contato do site
- Primeiras sessões = contatos × taxa de agendamento
- Custo por primeira sessão = orçamento ÷ primeiras sessões
Exemplo hipotético, apenas para ilustrar o raciocínio: com R$ 900 de orçamento e CPC de R$ 3, seriam 300 cliques. Se 8% deles gerassem contato, teríamos 24 contatos. Se 35% desses contatos agendassem a primeira sessão, seriam cerca de 8 primeiras sessões, a aproximadamente R$ 112 cada.
Os números reais variam muito conforme cidade, concorrência, especialidade, qualidade do site e rapidez no atendimento. O importante é aprender a fazer essa conta com os seus próprios dados e compará-la com a receita que um paciente em processo representa ao longo do tempo.
Prazo de aprendizado
As primeiras semanas servem para o sistema aprender e para você testar. Evite mudar tudo a todo momento e avalie o desempenho com dados de pelo menos 60 a 90 dias antes de tirar conclusões definitivas.
Passo 5: Conteúdo e redes sociais
O conteúdo educativo é a ponte entre quem está na fase de descoberta e quem está pronto para escolher um profissional. As redes sociais ampliam o alcance desse conteúdo, mas funcionam melhor para construir reconhecimento e confiança do que para captar pacientes de forma imediata.
Como montar um perfil profissional no Instagram
- Nome e bio: nome completo ou nome profissional, CRP, abordagem, cidade ou formato online e um link para o WhatsApp ou para o site.
- Foto de perfil: profissional, com boa iluminação e o rosto visível.
- Destaques: “Sobre mim”, “Como funciona a terapia”, “Perguntas frequentes” e “Contato”.
- Coerência visual: cores e tipografia consistentes, sem exagero.
Separe o perfil profissional do pessoal. Se o perfil pessoal for público, lembre que ele também comunica sobre você como profissional.
Quatro pilares de conteúdo
- Psicoeducação: explicar conceitos e fenômenos em linguagem acessível. Exemplo: a diferença entre tristeza e depressão, o que é procrastinação emocional, sinais de esgotamento.
- Esclarecimento sobre a terapia: desfazer mitos e explicar como o processo funciona. Exemplo: “Preciso ter um problema grave para fazer terapia?”, “Quanto tempo dura o processo?”.
- Bastidores profissionais: estudo, supervisão, formação e rotina de trabalho, sem qualquer referência a pacientes.
- Temas do seu nicho: conteúdos específicos para o público que você escolheu atender.
Formatos e frequência
Carrosséis, vídeos curtos, stories com caixa de perguntas e artigos no blog funcionam bem. Mais importante que o formato é a regularidade possível: duas ou três publicações por semana, mantidas por meses, valem mais que uma maratona de quinze dias seguida de silêncio.
Ideias de conteúdo por etapa da jornada
- Descoberta: sinais de que vale buscar ajuda profissional; diferença entre estresse e ansiedade; como a rotina afeta a saúde emocional.
- Consideração: o que é a sua abordagem; como escolher um psicólogo; terapia online ou presencial.
- Decisão: como é a primeira sessão; como funcionam o sigilo e as regras de remarcação; o que levar para o primeiro encontro.
- Continuidade: o que esperar das fases do processo terapêutico; como aproveitar melhor as sessões.
Cuidados éticos nas redes
- Não atenda por mensagem direta ou comentários. Oriente a pessoa a agendar uma sessão.
- Não faça diagnósticos ou orientações individuais em conteúdos públicos.
- Avalie tendências, danças e formatos virais com critério: se a abordagem beirar o sensacionalismo ou banalizar o sofrimento, não compensa.
- Se usar inteligência artificial para produzir rascunhos, revise tecnicamente tudo. A responsabilidade pelo que é publicado é sempre sua.
- Modere os comentários e evite interagir publicamente com pacientes.
Meta Ads e outros canais
Anúncios no Instagram e no Facebook podem ajudar no reconhecimento de marca, mas não capturam intenção ativa de busca como o Google. As mesmas regras éticas se aplicam, assim como as restrições das plataformas para conteúdos de saúde.
Outras possibilidades incluem vídeos no YouTube, podcasts, palestras, parcerias com outros profissionais de saúde e plataformas de intermediação de atendimento. Estas últimas oferecem visibilidade imediata, mas costumam envolver comissão e dependência da plataforma, o que vale pesar antes de decidir.

Passo 6: WhatsApp e conversão do primeiro contato
De nada adianta atrair visitas se o primeiro contato for desorganizado. Muitos pacientes entram em contato com mais de um profissional ao mesmo tempo e tendem a seguir com quem responde com clareza e acolhimento.
Boas práticas
- Use um número profissional, preferencialmente com o WhatsApp Business.
- Configure uma mensagem de boas-vindas com seu nome, CRP, horários de resposta e um aviso de que o canal é para agendamentos, não para atendimento clínico.
- Responda com agilidade, de preferência no mesmo dia, dentro do seu horário comercial.
- Explique o essencial: formato, duração da sessão, valor (quando perguntado), forma de pagamento e política de faltas e remarcações.
- Facilite o agendamento com horários sugeridos ou um link de agenda.
- Envie lembretes antes da sessão, o que reduz faltas.
Exemplo de resposta ao primeiro contato
“Olá! Aqui é a Maria Silva, psicóloga (CRP 00/00000). Obrigada pelo contato. As sessões duram 50 minutos e podem ser online ou presenciais. Posso te sugerir alguns horários para uma primeira conversa? Se preferir, me diga qual período do dia fica melhor para você.”
Quando a mensagem indica urgência
Se uma mensagem sugerir risco imediato à vida, não conduza a situação apenas por WhatsApp. Oriente a pessoa a buscar um serviço de urgência (SAMU 192, UPA ou pronto-socorro) e informe o CVV, pelo telefone 188, que atende 24 horas. Ter esse protocolo definido antes de precisar dele é uma boa prática.
Privacidade nas conversas
As conversas por aplicativo contêm dados pessoais e, muitas vezes, sensíveis. Combine com o paciente, no contrato terapêutico, o que pode ser tratado por mensagem, proteja o aparelho com senha e evite guardar informações clínicas desnecessárias na conversa.
Continuidade: o marketing que continua depois da primeira sessão
O melhor marketing de uma clínica é um atendimento bem conduzido. Contrato terapêutico claro, horários organizados, boa comunicação e cuidado com o vínculo fazem com que o processo seja mais consistente e, como consequência, gerem indicações espontâneas. Continuar é uma decisão do paciente: o papel do profissional é criar condições para que essa decisão seja informada e livre.
Como medir os resultados do seu marketing
O que não é medido não pode ser melhorado. As métricas mais importantes não são curtidas e seguidores, e sim aquelas ligadas à agenda:
- Visitas ao site e origem do tráfego (Google, Instagram, anúncios, acesso direto).
- Contatos recebidos (cliques no WhatsApp, formulários, ligações).
- Taxa de conversão do site: contatos ÷ visitas.
- Taxa de agendamento: primeiras sessões marcadas ÷ contatos.
- Taxa de comparecimento: quantos realmente compareceram à primeira sessão.
- Taxa de continuidade: quantos seguiram para um processo.
- Custo por contato e custo por primeira sessão, quando houver investimento em anúncios.
Ferramentas gratuitas já resolvem a maior parte: Google Search Console, Google Analytics, os dados do Perfil da Empresa no Google e uma planilha simples. Reserve cerca de 30 minutos por mês para revisar os números e decidir o que manter, ajustar ou interromper.
Uma prática útil: na triagem, pergunte de forma natural “como você chegou até aqui?” e anote apenas a origem, sem coletar informações clínicas.
Quanto custa fazer marketing para psicólogos
O investimento varia bastante conforme o estágio da carreira e a estratégia. Os principais itens de custo são:
- Domínio e hospedagem: custo recorrente baixo.
- Site: pode ser feito com construtores prontos ou com um profissional, com grande variação de valor.
- Foto profissional e identidade visual: investimento pontual.
- Ferramentas: WhatsApp Business e Google Search Console são gratuitos; agenda online e e-mail profissional costumam ter mensalidade.
- Mídia paga: valor definido por você, conforme o orçamento mensal de anúncios.
- Agência ou freelancer: mensalidade pela gestão de site, anúncios ou conteúdo.
- Seu tempo: o custo mais subestimado, principalmente na produção de conteúdo.
Como o valor depende de muitas variáveis, peça orçamentos detalhados e desconfie de qualquer promessa de número garantido de pacientes.
Por onde começar, conforme o momento
- Agenda vazia ou em início: posicionamento, site simples, Perfil no Google e, se houver orçamento, um investimento pequeno e bem monitorado em Google Ads.
- Agenda parcialmente ocupada: fortaleça o SEO e o conteúdo, e use anúncios para preencher horários específicos.
- Agenda cheia: foque em refinar o nicho, ajustar o valor das sessões e cuidar da continuidade e das indicações.
Fazer sozinho ou contratar ajuda profissional?
A decisão depende de tempo, domínio técnico, orçamento e do cuidado com o risco ético. É possível começar sozinho com o básico (posicionamento, Perfil no Google, conteúdo) e terceirizar o que exige mais técnica, como o site e os anúncios.
Um ponto central: a responsabilidade ética pelo que é publicado é do psicólogo, mesmo quando a execução é de terceiros. Por isso, vale avaliar com cuidado quem for contratado.
Perguntas para fazer a qualquer agência ou profissional de marketing
- Você conhece o Artigo 20 do Código de Ética e a Nota Técnica CFP 01/2022?
- Como lida com preço, depoimentos e promessas de resultado nas peças?
- Quem é o titular do domínio, do site, da conta de anúncios e do Perfil no Google? (Deve ser você.)
- Como serão apresentados os relatórios e quais métricas serão acompanhadas?
- Existe fidelidade ou multa de cancelamento?
- Como os dados dos visitantes e dos pacientes serão tratados, em conformidade com a LGPD?
- Quais metas são realistas? Desconfie de garantias de número de pacientes.
Erros comuns no marketing para psicólogos
- Prometer resultados ou usar linguagem de cura.
- Usar preço ou desconto como chamariz.
- Publicar depoimentos ou responder avaliações de forma que revele quem é paciente.
- Compartilhar casos clínicos, mesmo “anonimizados”.
- Não definir nicho e tentar falar com todo mundo.
- Esquecer de identificar nome e CRP no site e nas redes.
- Investir em anúncios sem site preparado e sem rastreamento de conversões.
- Demorar a responder o primeiro contato.
- Publicar com intensidade por duas semanas e desaparecer.
- Medir sucesso por curtidas e não por primeiras sessões e continuidade.
- Seguir informações desatualizadas sobre normas, como a exigência do e-Psi.
Plano de ação de 30 dias
Semana 1: Fundações
- Defina posicionamento, público e formato de atendimento.
- Releia o Artigo 20 e a Nota Técnica CFP 01/2022.
- Ajuste bio, foto e nome do perfil profissional.
- Crie ou revise o Perfil da Empresa no Google e configure o WhatsApp Business.
Semana 2: Site
- Estruture as páginas essenciais: início, sobre, serviços, primeira sessão e contato.
- Inclua política de privacidade e identificação com CRP.
- Configure Google Search Console e Google Analytics.
Semana 3: Conteúdo
- Monte um calendário de quatro semanas com os quatro pilares de conteúdo.
- Publique três posts e um primeiro artigo para o site.
- Escreva o roteiro de resposta ao primeiro contato.
Semana 4: Aquisição e medição
- Se optar por anúncios, comece com um orçamento pequeno e rastreamento de conversões.
- Crie a planilha de métricas e registre a origem de cada contato.
- Revise o mês e decida o que manter, ajustar ou cortar.
Perguntas frequentes sobre marketing para psicólogos
O psicólogo pode fazer marketing?
Sim. O Código de Ética admite a divulgação dos serviços, desde que respeite as condições do Artigo 20: identificação com nome e CRP, divulgação apenas de qualificações e práticas reconhecidas, sem previsão taxativa de resultados, sem preço como forma de captar clientela e sem sensacionalismo.
O psicólogo pode divulgar o preço da sessão?
O Código de Ética veda usar o preço do serviço como forma de publicidade para captar clientela. Por isso, a prática mais prudente é não exibir valores em anúncios e posts promocionais e tratar do tema no contato individual com a pessoa interessada. Em situações específicas, consulte o seu CRP.
Posso publicar depoimentos de pacientes?
A orientação prudente é não publicar nem solicitar depoimentos de pacientes. A Nota Técnica CFP 01/2022 trata do tema, e o risco de ferir o sigilo e a relação terapêutica é alto.
Psicólogo pode anunciar no Google Ads?
Pode, desde que o anúncio e a página de destino respeitem as mesmas regras de qualquer publicidade profissional: sem promessas, sem preço como atrativo, sem sensacionalismo e com identificação por nome e CRP.
Quanto devo investir em marketing?
Não existe um valor único. Comece pelo que é gratuito ou de baixo custo (posicionamento, Perfil no Google, conteúdo e site simples) e, se for investir em anúncios, defina um orçamento que você consiga manter por pelo menos três meses e que seja compatível com a receita de um paciente em processo.
Instagram ou Google: qual traz mais pacientes?
Para quem já está procurando um profissional, o Google costuma ser mais direto, porque capta intenção ativa de busca. O Instagram ajuda na descoberta e na construção de confiança. O ideal é que os dois se complementem, com o site como centro.
Quanto tempo leva para ter resultado?
Depende do canal. Anúncios e o Perfil no Google tendem a gerar sinais mais rápido; SEO e conteúdo costumam levar meses para se consolidar; o Instagram depende de regularidade e do tamanho do nicho. O mais seguro é acompanhar os indicadores mensalmente e avaliar tendências, não semanas isoladas.
Preciso ter um site ou só o Instagram basta?
O Instagram pode ser suficiente para começar, mas depender só dele traz riscos: mudanças de algoritmo, limitações da plataforma e menos presença nas buscas. O site é o ativo que você controla e que sustenta o SEO e os anúncios.





